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Economia de Santa Catarina avança, apesar de sinais de desaceleração setorial

Publicado em 22/01/2026

O Índice de Atividade Econômica Regional de Santa Catarina (IBCR-SC) cresceu 3,4% em novembro de 2025 na comparação interanual, mantendo desempenho superior à média nacional (1,2%). 

Na janela móvel de 12 meses, a economia catarinense acumula alta de 4,9%, acima do resultado do país (2,4%). Apesar do crescimento, observa-se perda de dinamismo ao longo de 2025. A análise setorial interanual indica que esse movimento reflete a desaceleração de parte relevante dos setores econômicos do estado.

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Tabela com a variação do IBC

No acumulado de 2025, Santa Catarina apresentou desempenho econômico superior ao nacional na janela de 12 meses. Ainda assim, a análise setorial aponta sinais de desaceleração da atividade, ajudando a explicar a perda de dinamismo dos indicadores agregados.

Nesse sentido, a produção industrial catarinense apresentou retração de 1,4% em novembro de 2025 frente ao mesmo mês de 2024. O desempenho negativo foi influenciado, sobretudo, pela queda no setor de metalurgia, associada à desaceleração da indústria automotiva nacional e à redução da produção de bens de capital, movimento intensificado a partir de abril deste ano.

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Crescimento interanual dos setores da economia BR e SC

 

O setor de madeira e móveis também registrou retração, refletindo a forte redução das vendas para seu principal comprador, os EUA, que recuaram 74,6% na comparação interanual.

Entre os grandes setores, o comércio varejista ampliado foi o único a apresentar crescimento interanual, com alta de 1,0% em relação a novembro de 2024. 

O principal destaque permaneceu sendo o segmento de hipermercados e supermercados, que avançou 7,0%. Também registraram crescimento, ainda que com menor peso na estrutura do comércio estadual, as vendas de equipamentos e materiais para escritório (+36,5%) e de artigos de perfumaria e cosméticos (+8,3%). Esse desempenho está associado, principalmente, à melhora da renda disponível das famílias observada nos últimos meses, o que tem sustentado o consumo corrente.

Em contraste com o comércio, o setor de serviços contribuiu negativamente para a atividade econômica do estado, ao registrar retração de 0,2% na comparação interanual. Assim como observado na indústria, o desempenho do setor de serviços reforça sinais de desaceleração da atividade econômica em Santa Catarina, mesmo diante do crescimento interanual do IBCR-SC.

A queda concentrou-se, sobretudo, no grupo de outros serviços, que engloba atividades como manutenção de computadores, administração de condomínios e intermediação na compra e venda de imóveis. Esse comportamento é consistente com um ambiente macroeconômico ainda marcado por juros elevados e condições de crédito mais restritivas, que afetam de forma mais direta os segmentos ligados ao consumo de bens duráveis e ao investimento, diminuindo a demanda por esses serviços.

Nesse contexto, o crescimento interanual de 3,4% da atividade econômica catarinense em novembro reflete, em grande medida, o desempenho do agronegócio, que tem sustentado o resultado agregado do estado. Produtos como soja, tabaco e, sobretudo, milho apresentaram crescimento expressivo das exportações no período, contribuindo para compensar o desempenho mais fraco da indústria e dos serviços. Assim, o resultado positivo do IBCR-SC não indica uma expansão disseminada da atividade econômica, mas sim uma dinâmica de crescimento concentrada em segmentos específicos da economia.

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Gráfico no acumulado de 12 meses IBC SC e BR

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