A análise interanual mostra que a indústria catarinense registrou desaceleração mais acentuada em comparação com a média brasileira, que caiu 1,2% no mês. Na análise mensal livre de efeitos sazonais, o desempenho catarinense recuou 0,8% no último mês, enquanto a média nacional permaneceu estável. Esses resultados indicam uma perda de dinamismo da atividade industrial do estado no final do ano.
Entre os fatores que afetam o desempenho da indústria, a manutenção da taxa de juros em patamar elevado tem exercido papel relevante ao encarecer o crédito, elevar os custos de produção e limitar a demanda por bens industriais. Adicionalmente, a retração das exportações para parceiros comerciais, como Estados Unidos e China, tem limitado o desempenho de segmentos de maior valor agregado da indústria catarinense.
Entre os setores mais afetados destacam-se o madeireiro e o moveleiro, que registraram retrações de 16,8% e 14,1%, respectivamente, na análise interanual. Esses segmentos vêm enfrentando os efeitos das tarifas americanas implementadas desde agosto de 2025, sem sinais consistentes de recuperação desde então. A dificuldade de reação está associada, em grande medida, ao elevado grau de especialização da produção catarinense voltada ao atendimento das exigências de mercados como o americano e o chinês, o que limita, no curto prazo, a possibilidade de redirecionamento da produção para novos mercados.
Outro arranjo setorial impactado pelo cenário atual é o de produtos de metal e metalurgia, que apresentou quedas de 9,5% e 15,8%, respectivamente, em comparação a novembro de 2024. Esses setores possuem forte encadeamento com a própria indústria nacional e, diante da redução do nível de atividade observada, vêm sofrendo os efeitos da menor demanda industrial. Além da retração na produção, observa-se redução do saldo de empregos formais nesses segmentos nos últimos meses.
A despeito do cenário geral negativo, certas indústrias conseguiram manter o crescimento produtivo. Setores de produtos minerais não metálicos e produtos químicos obtiveram o maior crescimento de Santa Catarina no período analisado. Seu desempenho está associado à atuação como fornecedores de materiais para a Construção Civil, com destaque para produtos de areia e argila, no primeiro caso, e de tintas, no segundo, como indicam as vendas do varejo.
Por sua vez, os produtos alimentícios obtiveram destaque positivo com relação à novembro de 2024 (3,8%). A redução dos custos dos insumos de produção de aves, como ração, e o aumento da demanda com a expansão da renda das famílias teve papel importante na dinâmica do setor.
O desempenho da indústria em novembro, tanto em Santa Catarina quanto no Brasil, reflete um ambiente econômico mais restritivo. Nesse contexto, apenas os bens de consumo não duráveis mantiveram crescimento na análise interanual, beneficiados pela maior sensibilidade à renda corrente e por efeitos residuais da recomposição do poder de compra.
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