No primeiro bimestre de 2026, a indústria de Santa Catarina gerou 24,0 mil novos empregos industriais, liderando a criação de vagas entre os setores da economia no período. O desempenho foi sustentado, principalmente, por atividades que seguem aquecidas, como a indústria de alimentos e a construção. O avanço, porém, foi inferior ao observado no mesmo período do ano passado.
O saldo de empregos formais da construção civil em Santa Catarina somou 6,7 mil novas vagas nos primeiros dois meses do ano, volume 18,9% inferior ao saldo do mesmo período do ano passado. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam os juros elevados e o custo da mão de obra como entraves centrais ao crescimento da atividade, enquanto a sondagem do setor divulgada em março indicou piora nas expectativas para emprego e novos empreendimentos nos próximos meses. Ainda assim, a manutenção do saldo positivo de vagas sinalizou que a atividade segue resiliente, mesmo em um contexto menos favorável.
O setor têxtil, confecção, couro e calçados foi o segundo maior gerador de empregos industriais no período, com 4,6 mil vagas criadas no bimestre. Assim como na construção, o resultado foi positivo, mas inferior ao registrado nos dois primeiros meses do ano passado, com queda de 34,8% no saldo.
Na confecção, o principal destaque foi a produção de peças do vestuário sob medida, com 2,1 mil novas vagas. No segmento têxtil, sobressaiu a atividade de acabamento em fios, tecidos e artefatos têxteis, com 510 postos criados no período.
Apesar do desempenho, o setor apresenta sinais de moderação. Em Santa Catarina, as vendas do comércio varejista de tecidos, vestuário e calçados acumulam queda de 6,0% no ano, o que ajuda a explicar a perda de ritmo das contratações em atividades como a facção de peças do vestuário.
Já o setor de alimentos e bebidas registrou variação interanual positiva no período de 12,6%. O valor reflete o avanço das exportações de aves e suínos, e se relaciona com o crescimento da produção física da atividade. Esse resultado foi potencializado tanto pela queda nos preços ao produtor, quanto pelo aumento das vendas no mercado interno, com o crescimento do volume vendido em supermercados do estado.
Apesar de positiva, a geração de empregos industriais em Santa Catarina registrou arrefecimento na geração de novas vagas em relação ao mesmo período do ano anterior. A desaceleração é explicada por fatores como o cenário de juros ainda elevados e crédito mais restrito. Mesmo assim, Santa Catarina segue como um dos destaques da geração de empregos industriais no país, demonstrando resiliência dos setores produtivos catarinenses.
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