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Publicado em 10, Jun 2022 por economia_obser…
Ambiente de fábrica com esteiras e lâminas
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Atividade econômica brasileira cresce pelo terceiro trimestre consecutivo

No primeiro trimestre do ano, a atividade econômica brasileira registrou crescimento de 1,0% em comparação com o trimestre imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal. É o terceiro crescimento trimestral consecutivo, com expansão superior ao registrado no 4º trimestre de 2021. Na análise interanual, o PIB brasileiro cresceu 1,7%. Já no acumulado de 12 meses (abril/21-mar/22), houve expansão de 4,7% na comparação com os 12 meses anteriores. Em valores correntes, a soma de todos os bens e produtos finais produzidos no país somaram R$ 2,2 trilhões nesse 1º trimestre. 

Variação PIB Brasil 1º trimestre

 

Ótica da Oferta

O setor de Serviços orientou a expansão da atividade econômica no 1º trimestre de 2022, com crescimento de 1,0% ante o trimestre anterior. O setor foi o mais representativo na economia do país, com participação de 68,9% na composição do PIB nacional no 1º trimestre do ano.

O principal destaque do setor de Serviços foi registrado em Outras atividades de serviços, com expansão de 2,2%. Essas atividades compreendem os serviços gerais às famílias, como por exemplo, os hotéis, restaurantes, bares, eventos e salões de beleza.​ Já as atividades de Comércio e Imobiliárias também registraram resultados positivos, essa última ligada diretamente ao bom momento da Construção no país. 

Variações dos subitens do PIB 1º tri.2022

Os Serviços, setor mais afetado pela pandemia, foi beneficiado em 2022 pelo retorno completo das atividades presenciais em empresas, escolas e alguns serviços públicos. Reflexo disso pode ser observado na geração de empregos do setor, que registrou mais de 350 mil¹ novos postos de trabalho formal nos primeiros três meses do ano.

¹Incluso o setor do Comércio. 

A Indústria geral registrou estabilidade, com variação de +0,1% em relação ao trimestre anterior. Impactada pela menor demanda da China, a Indústria extrativa foi a mais penalizada pelo atual momento do ciclo econômico mundial – registrando queda de 3,4% no período. 

O destaque da Indústria foi a retomada no crescimento da Indústria de transformação, após quatro trimestres com quedas consecutivas. Apesar de ainda sofrer com gargalos logísticos e elevados custos de insumos e matéria-prima, a atividade registrou expansão de 1,4% no 1º trimestre. A elevação na produção de Bens intermediários e Bens de consumo não duráveis, foi fator preponderante para o crescimento da Indústria de transformação.

Variação produção por grandes categorias economicas

A Construção, mantendo o ritmo de crescimento de 2021, cresceu 0,8% no primeiro trimestre e acumula alta de 11,3% na atividade ao longo dos últimos quatros trimestres. O nível de atividade e utilização da capacidade operacional do setor seguem próximos do patamar de 2014.

Na Agropecuária, decréscimos na produção e quedas de produtividade em algumas culturas como soja, arroz e fumo foram as principais razões para a queda na atividade no primeiro trimestre.

 

Ótica da Demanda

Analisando o PIB pelo lado da demanda, o Consumo das famílias, que representou 62,6% do PIB no 1º trimestre, manteve-se com crescimento de 0,7% em relação ao trimestre anterior. O resultado favorável da variável está diretamente relacionada à volta, na integralidade, das atividades presenciais. 

Variação PIB sob a ótica da demanda

Mesmo com cenário de alta nos preços e perda do poder de compra da população, o consumo das famílias vem sustentando consecutivos crescimentos na variação mensal, sustentado, sobretudo, pela evolução favorável do emprego formal no país, com a geração de mais de 570 mil vagas formais no 1º trimestre do ano. Outro fator que corroborou com o Consumo das famílias foi a ampliação do programa federal de transferência de renda, ocorrido ainda no final de 2021, que atinge sobretudo famílias de baixa renda. 

Ademais, o aumento do consumo também pode ser observado no índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), onde o indicador vem melhorando nos últimos meses. Esse comportamento está ligado a uma menor disseminação do pessimismo, a partir de uma percepção de melhora das famílias de baixa renda. O indicador mede o grau de satisfação das famílias em termos de emprego, renda e capacidade de consumo. 

Intenção de consumo das famílias Brasil

Outro destaque no trimestre é o resultado do comércio exterior, que registrou crescimento de 5,0% nas exportações no 1º trimestre, ante o trimestre anterior. O Brasil vem registrando recordes históricos no montante exportado, atingindo US$ 72,6 bilhões em vendas para o resto do mundo no 1º trimestre. Esses aumentos nos montantes exportados se deram em função das elevações nos preços internacionais das commodities, como pode ser visto no valor médio por tonelada dos Óleos brutos de petróleo, segundo produto mais exportado pelo país.

Valor médio por tonelada exportações de óleos brutos de petróleo Brasil

O bom momento da balança comercial brasileira gera uma condição favorável para atividades que possuem encadeamento produtivo com os setores exportadores. Apesar da pauta exportadora do Brasil ser marcada pelas exportações de commodities, a atividade econômica do país é movimentada. Por outro lado, elevações nos preços internacionais impactam negativamente as importações, tornando as compras de insumos mais onerosas. 

O destaque negativo no resultado do PIB no 1º trimestre do ano foi o recuo na taxa de investimentos do país, medida através da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). A parcela de investimentos em relação ao PIB brasileiro no 1º trimestre foi de 18,7%, inferior à expectativa de 2022 para a média mundial de 27,3%.

Composição PIB lado demanda

Para o segundo trimestre do ano, o choque monetário contracionista atualmente em curso, via aumento nas taxas de juros nas principais economias do mundo, poderá impor alguma restrição sobre a atividade econômica. Além disso a continuidade do conflito no Leste Europeu, assim como os efeitos dos lockdowns na China (que perduraram durante abril e maio) continuam gerando distúrbios nas cadeias globais de produção.
 

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