Pular para o conteúdo principal

Custos, prazos e produtividade na construção: evidências recentes e perspectivas para Santa Catarina

Santa Catarina lidera o custo da construção no Brasil e impulsiona avanço em produtividade no setor

Publicado em 05/05/2026

A construção civil desempenha papel estratégico na economia catarinense. Além da contribuição relevante para o Produto Interno Bruto e para a geração de empregos formais, o setor impulsiona cadeias industriais associadas, como cimento, aço, cerâmica, madeira, sistemas elétricos e serviços técnicos especializados. Nesse contexto, acompanhar a evolução dos custos, prazos e produtividade é essencial para avaliar a competitividade do ambiente de negócios no estado.

 

Imagem
Figura 1 autoral: Observatório/ FIESC - FONTE: SINAPI/IBGE
Figura 1 autoral: Observatório/ FIESC - FONTE: SINAPI/IBGE

Os dados mais recentes indicam que Santa Catarina opera em um patamar de custos superior à média nacional. Segundo o IBGE, por meio do SINAPI, o custo médio da construção no estado em janeiro de 2026 foi de R$ 2.169,50 por metro quadrado, configurando o maior valor do país. No mesmo período, a média nacional foi de R$ 1.920,74. A variação acumulada em 12 meses ficou em 6,71%, refletindo principalmente reajustes de mão de obra e recomposição dos preços de insumos. Parte relevante dessa pressão está associada ao mercado de trabalho aquecido, com crescente dificuldade de contratação de profissionais qualificados, especialmente em ocupações técnicas e especializadas.

 

 

 

O comportamento do Custo Unitário Básico no estado (CUB/SC), calculado pelo Sinduscon conforme a Lei nº 4.591/64, confirma esse cenário. Em janeiro de 2026, o CUB residencial padrão médio foi de R$ 3.012,64 por metro quadrado, o segundo maior do país, atrás apenas do Mato Grosso, consolidando crescimento de 4,32% nos últimos 12 meses. A convergência entre SINAPI e CUB reforça a consistência da tendência de alta e sugere que o encarecimento não está restrito a tipologias específicas, mas distribuído em todo o setor da construção. No âmbito nacional, a Fundação Getulio Vargas, responsável pelo Índice Nacional da Construção Civil, registrou variação acumulada de 5,83% no acumulado de 12 meses encerrados em fevereiro de 2026, sinalizando a manutenção de pressões inflacionárias no setor.

 

Esse ambiente de custos elevados está associado ao dinamismo econômico catarinense. O aquecimento do mercado imobiliário, a expansão urbana em polos regionais e a forte demanda por obras industriais e de infraestrutura contribuem para pressionar insumos e mão de obra especializada. Do ponto de vista competitivo, o cenário reforça a importância da gestão eficiente de custos e do planejamento financeiro como instrumentos estratégicos para a sustentabilidade econômica dos empreendimentos. Empresas com maior capacidade de previsibilidade orçamentária e controle de riscos tendem a capturar vantagem comparativa em um ambiente de maior volatilidade.

 

No que se refere aos prazos de execução, o setor da construção no Brasil tem avançado gradualmente na adoção de práticas de planejamento mais integradas e no uso de ferramentas digitais de controle. Ainda assim, a complexidade técnica das obras, a multiplicidade de fornecedores e a dinâmica da cadeia produtiva exigem constante aperfeiçoamento dos processos de coordenação e compatibilização. Em um contexto de custos elevados, atrasos deixam de ser apenas um problema operacional e passam a representar risco financeiro direto, dado o impacto sobre despesas indiretas, capital de giro e custo do financiamento. A previsibilidade de cronogramas constitui elemento central para a saúde financeira dos projetos.

 

A produtividade, por sua vez, constitui a principal alavanca para equilibrar custo e prazo. Santa Catarina tem registrado crescimento do emprego formal na construção ao longo de 2024 e 2025, evidenciando a vitalidade do setor. Contudo, a expansão do emprego, isoladamente, não garante ganhos de eficiência: o desafio central reside no aumento da produtividade por trabalhador e por metro quadrado executado. Ao mesmo tempo, a ampliação da eficiência operacional — por meio da industrialização de processos, da maior integração entre projeto e execução e da incorporação de tecnologias digitais — representa oportunidade concreta de fortalecimento competitivo. A transição de um modelo predominantemente intensivo em mão de obra para um modelo mais intensivo em tecnologia e gestão é determinante para mitigar a pressão estrutural de custos.

 

Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a construção civil responde por aproximadamente 5,8% do PIB brasileiro e mantém elevada capacidade de geração de empregos formais. Santa Catarina participa de forma expressiva desse cenário, representando 5,5% do PIB nacional do setor, o que consolida o estado como um dos mercados mais dinâmicos do país. Essa participação reforça o papel estratégico do estado na configuração da competitividade nacional da construção, tornando a agenda de eficiência ainda mais relevante em termos sistêmicos.

 

A leitura integrada dos dados de 2024 e 2025 indica que o setor catarinense combina dinamismo econômico com ambiente de custos desafiador. Nesse contexto, a agenda estratégica passa por eixos centrais: fortalecimento da gestão de custos, avanço contínuo da produtividade e estímulo à inovação tecnológica e à qualificação profissional. Mais do que enfrentar obstáculos, o setor da construção em Santa Catarina encontra-se diante de uma oportunidade de evolução estrutural. O atual ciclo de pressão sobre custos pode funcionar como catalisador de modernização, induzindo maior racionalização de processos, padronização construtiva e integração digital. Ao consolidar ganhos de eficiência operacional, esse movimento tende a ampliar a competitividade regional e estabelecer bases mais sólidas para um crescimento sustentável de longo prazo.

 

Texto por:

Lucas Niehuns - Consultor dos Conselhos Setoriais e Temáticos da FIESC

 

Referências: 

 

SINAPI: https://www.caixa.gov.br/poder-publico/modernizacao-gestao/sinapi/Paginas/default.aspx (Caixa/IBGE)

CUB: https://sinduscon-fpolis.org.br/servico/cub-mensal/ (Sinduscon Florianópolis)

INCC: https://portal.fgv.br/noticias/incc-m-2026 (FGV)

CBIC: https://cbic.org.br/hubdedados/?utm_source=chatgpt.com

Tags Publicações
Estudos Especiais
Tema da Publicação