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Publicado em 3, Sep 2020 por fiesc-admin
PIB
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O último levantamento do IBGE referente às contas trimestrais do país registrou queda da produção em nível nacional. O Produto Interno Bruto (PIB) registrou queda de 9,7%, impactado pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus, que se intensificou no segundo trimestre do ano, fazendo com que empresas precisassem adotar medidas de readequação produtiva, respeitando as medidas de restrição sanitária e isolamento social que visavam conter o avanço do vírus. Entre os setores, o único desempenho positivo foi o da agropecuária, enquanto indústria e serviços tiveram quedas bruscas, explicadas por uma necessidade maior de tempo para readequação, que ocorreu de maneira gradual.

PIB recua 9,7% no segundo trimestre

No comparativo com o trimestre imediatamente anterior, o PIB brasileiro apresentou recuo de 9,7%, o pior resultado registrado na série histórica, que se estende até 1996. O primeiro trimestre já dava sinais de recuo, ainda antes dos efeitos da pandemia se intensificarem, com a atividade econômica caindo 2,5% no mesmo comparativo.
 

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Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a queda observada é ainda mais acentuada, sendo de 11,4%. No acumulado do ano o recuo foi de 5,9%.
 
Consumo das famílias tem queda recorde
O consumo das famílias apresentou retração sem precedentes, tendo caído 12,5% em relação ao trimestre anterior, que também já apresentava queda, ainda que menos acentuada. Quando comparado ao segundo trimestre de 2019, o recuo foi de 13,5%, evidenciando o baixo nível de consumo, que representa parte importante da composição do PIB brasileiro.
 

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Entre os motivos da redução estão o crescente número de fechamento de estabelecimentos e a menor propensão a consumir da população, que se vê cautelosa frente à queda dos níveis de emprego e renda causados pela pandemia.
 
O consumo do governo caiu 8,8% em relação ao trimestre anterior, cujo desempenho ainda havia sido positivo, com aumento de 0,2%. O resultado é explicado pela necessidade de readequação orçamentária e realocação de recursos não prevista para o ano, principalmente nas áreas da saúde, no combate ao Covid-19 e educação, onde ocorreu diminuição dos gastos de manutenção na rede pública, devido à suspensão das atividades em grande parte do período.

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Agropecuária tem melhor desempenho entre os setores
Entre os setores, o único a não apresentar desempenho negativo foi a agropecuária, que cresceu 0,4% frente ao trimestre anterior, tendo sido o setor menos afetado pela pandemia. Esse resultado está relacionado à alta do dólar e ao grande volume de exportação de commodities.

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Já o setor de serviços teve seu desempenho negativamente afetado no mesmo comparativo, caindo 9,7%. O resultado é explicado, em parte, pela diminuição dos níveis de produção, renda e consumo, que afetaram o setor terciário

A indústria, por sua vez, teve o pior desempenho na comparação com o trimestre anterior. A retração foi de 12,3%, sendo a pior da série histórica, cuja média é positiva, em 0,17%. O resultado desse trimestre é explicado pela necessidade de readequação ter acontecido em maior grau no setor produtivo, em relação aos demais. A indústria nacional enfrentou interrupção de algumas atividades de maneira intermitente durante o período, e encerrou o primeiro semestre do ano fechando 251.133 postos de trabalho, fatores que influenciam na produção. Entretanto, o setor já demostra melhora no desempenho.

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PIB da Indústria
Dentro da indústria, o desempenho negativo é geral, com o melhor sendo o das indústrias extrativas, cuja queda foi de 1,1%. Indústrias de transformação tiveram redução de 5,7%, enquanto a construção civil caiu 17,5%, apesar de melhoras recentes do desempenho do setor.

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O primeiro semestre de 2020 se encerrou com quedas para a indústria brasileira. Os impactos da pandemia do novo coronavírus permearam os resultados durante todo o período, mas as perspectivas para os meses seguintes são de mais otimismo, dada a melhora nos indicadores da sondagem industrial mais recentes levantados pela CNI, bem como a melhora do nível de índice de confiança do empresário industrial, que podem indicar uma retomada econômica e redução dos impactos negativos da pandemia ao final do ano.